Este texto tem como interlocutor
uma pessoa que não está mais neste mundo: o meu amigo Milton Schwantes (1946-2012). Para quem não
sabe, Schwantes
foi um notável teólogo luterano, biblista internacionalmente reconhecido e professor na área das ciências
da religião.
Milton Schwantes era perito nos livros
que compõem a Torah, nome hebraico do Antigo Testamento, que conhecia
como a palma da mão. Era igualmente um especialista em hebraico, aramaico,
grego koiné e em ugarítico, esta última uma língua semítica extinta desde o
Século XII A.C.
Além disso, se destacou como autoridade
nas culturas que compunham o mundo bíblico de antanho, que grosso modo
integravam o que hoje a geografia define como Oriente Médio.
Seria imperioso registrar que a
sabedoria de Schwantes deixou marca indelével em todos que tiveram o privilégio
em conhecê-lo e desfrutar dos seus ensinamentos. Inclusive eu, com quem
cultivei uma carinhosa amizade nos idos dos anos 1980, um tempo memorável,
cadenciado pelos debates e discussões travadas no antigo Centro Ecumênico de
Documentação e Informação (CEDI).
Foi assim que certa vez, numa prosa
mantida com Schwantes, veio à baila um tema relacionado
com Moisés, o grande legislador judeu, nome que para a eternidade está
associado ao Asereth ha-D'bharîm (הדברים עשרת). Isto é: os Dez Mandamentos ou o Decálogo.
Personagem icônico, Moisés é nexo magnetizador no pensamento
judaico-cristão. Como tal, ocupou o centro de muitos debates filosóficos e no
campo da teologia, sendo ao mesmo tempo homenageado em peças culturais e
artísticas, dentre as quais, a célebre escultura de Michelangelo Buonarroti
(1475-1564), considerada um marco do Renascimento (FIGURA 1).
FIGURA 1: A estátua de Moisés, tal como representado pelo artista
toscano, instalada na Basílica de San Pietro in Vincoli, ou Basílica de São
Pedro Acorrentado, em Roma.
Tendo este ilustre personagem em foco, Schwantes, que também era um
grande contador de histórias, passou então a comentar um episódio da história
de Moisés que por sinal é de amplo conhecimento, inclusive do público leigo em
Bíblia. Mas, que envolve uma nota particular que não escapou ao aguçado e
perspicaz olhar de Milton.
Então, eis que transcorreu um animado comentário a respeito de uma
passagem do livro do Êxodo, o segundo livro da Torah, no qual está
consignado que Moisés, deambulando pelo deserto, topou com um poço no qual as
filhas de Jetro, o maior dos sacerdotes terras de Madian, estavam a tirar água da fonte para
dessedentar os rebanhos.
Neste grupo constava Tzipporah (צִפוֹרָה) ou Zipora em português,
que mais tarde, tal como a Bíblia nos conta, se tornaria mulher de Moisés.
Retenha-se que a Bíblia mantém permanente preocupação com o nome dos seus personagens. Tzipporah deriva do hebraico צִפּוֹר (tzippor), reportando a “pássaro”, “pássaro pequeno” ou “pardal”. Há quem avente a associação deste nome com o canto dos pássaros, o chilro, indicando que o Tzipporah seria uma mulher amável e delicada.
Retenha-se que a Bíblia mantém permanente preocupação com o nome dos seus personagens. Tzipporah deriva do hebraico צִפּוֹר (tzippor), reportando a “pássaro”, “pássaro pequeno” ou “pardal”. Há quem avente a associação deste nome com o canto dos pássaros, o chilro, indicando que o Tzipporah seria uma mulher amável e delicada.
Seguindo com a narrativa do evento,
o valoroso Moisés, chegando ao local no meio da sua caminhada pela escaldante
paisagem de Madian, se deparou como assim nos ensina a Bíblia, com as filhas do
madianita Jetro no olho d’água.
Mas não só. No local também encontrou
um incômodo grupo de pastores locais, seguramente uma versão ancestral dos
atuais bad boys, que estavam a apoquentar e assediar as moças. Talvez
dando curso ao que hoje denominamos de bullying. Ou pior, planejando
algo nada civilizado.
Moisés, homem altivo, cortez e
valoroso, não deixou por menos. Enfurecido com o mau caratismo deste bando de
cafajestes, partiu em defesa das moças. “Foi para o pau”, como hoje
coloquialmente dizemos. E rapidinho, pôs os malfeitores a correr.
Eis que aquele homem, fugitivo do
país onde nascera e fora criado, o Egito, havia salvado a honra das filhas de
Jetro. Havia tomado esta atitude por puro senso de justiça. E fez o que fez sem
maiores delongas.
Neste momento a Bíblia relata que
prontamente Tzipporah correu para as tendas de Jetro, e disse-lhe: “Pai,
um egípcio salvou- nos dos pastores”.
Ao repetir este trecho do Bamidbar (במדבר) ou do livro de Êxodo (2: 18-20),
Milton então inteligentemente ponderou: “Irmão (era assim que Schwantes
se dirigia à mim), há um ponto muito interessante nesta passagem. Note bem: como
é que Tzipporah sabia que Moisés era egípcio? Ora, Moisés não havia se
apresentado. Então, como Tzipporah sabia da procedência de Moisés?
Certo é, argumentou Schwantes, que
Tzipporah não havia notado o pedigree de Moisés pelo vestuário. O grande
legislador, que mais tarde teria a honra de receber do Altíssimo os Dez Mandamentos,
não estava vestido à moda egípcia. O deserto é um nicho ecológico específico e
impõe aos que tem a pretensão de atravessá-lo roupas adequadas para esta
verdadeira peripécia.
E mais: não poderia estar com os
trajes típicos do vale do Nilo pela simples razão que havia feito justiça com
as próprias mãos ao matar um capataz do Faraó que estava a chicotear um escravo
hebreu. Qual seja: estava na lista dos delinqüentes procurados do Faraó.
No mais, o Egito mantinha um ativo
serviço de espionagem no entorno geográfico do país. Particularmente, estava em
alerta permanente quanto às movimentações dos nômades, uma ameaça persistente
às fronteiras do Estado e à estabilidade política que os egípcios cultivavam
como ponto de honra de sua civilização.
Deste modo, qualquer um que
ousasse vaguear pela periferia do Egito vestido como egípcio seria rapidamente
detectado. No caso de Moisés, seria capturado e levado ao país do Nilo para ser
preso, julgado e punido. E como havia afrontado diretamente o poder do Faraó,
seria morto sem dó nem piedade. Nenhum fugitivo da justiça faraônica, tendo
amor à própria pele, cometeria erro tão primário.
Retenha-se que a preocupação em
dar um sumiço na indumentária seria uma providência tomada imediatamente por qualquer
fugitivo do vale do Nilo. Sendo o centro de uma magnífica civilização, o Egito
constituía um pólo de atração e não de retração de pessoas no antigo Oriente
Médio. Ninguém imigrava do Egito. Saíam do país unicamente os proscritos e os
criminosos. Se um egípcio estava fora do país, boa gente não era.
Aliás, tal precaução está
registrada num clássico literário do antigo Egito: A História de Sinuhe. Este
texto, um autêntico best seller datado do início do ano 2000 A .C., foi copiado por
gerações sem conta, tamanha a popularidade que conquistou no imaginário popular
dos egípcios.
Esta jóia da literatura da
antiguidade narra a história de Sinuhe, que como Moisés, comete um crime e foge
da fúria do Faraó tomando o rumo do
deserto. E qual a primeira atitude de Sinuhe? Tirar as vestes egípcias e adotar
imediatamente as roupas dos beduínos.
Isto porque quem está na condição
de fora da lei não pode dormir no ponto. Tem que se esconder noutro espaço e
também disfarçar sua própria identidade. Óbvio e Elementar.
Fica então uma pergunta no ar: Dado
que Tzipporah não identificou Moisés como egípcio pelas vestes, logo, como
sabia que o estrangeiro que era um egípcio?
Foi neste momento que Schwantes
fez uma pausa e disse: “Foi pela pigmentação de Moisés”, sentenciou Milton Schwantes.
Ou seja: Moisés era negro. Portanto, foi suficiente Tzipporah bater o
olho no recém chegado para saber disso.
Certo é que esta interessante observação
de Schwantes não foi feita ao sabor de um arroubo de oratória. Também não pretendia
para gerar polêmicas a esmo, inevitáveis quando se sabe que a imagem construída
de Moisés o coloca no plano das populações de tez branca. Como a propósito é o
que testemunha a escultura de Michelangelo.
Na realidade, devemos asseverar
que colocar um personagem como Moisés como pertencente ao campo da Africanidade
por ser egípcio, faz sentido, e muito.
Trata-se de ponderação que pode
parecer um despropósito para os não-iniciados em antropologia, história e
geografia da África. Mas entenda-se: pretender que Moisés seria negro por ser
egípcio é uma considerarão calçada em inúmeros e profundos estudos sobre o
passado do país do Nilo.
No meu caso, desde criança
escutava do meu pai, que era um leitor assíduo de arqueologia, ponderar que sobre
a impossibilidade de um país banhado pelo Nilo, rio que comunica o Egito
diretamente com o centro da África, ter conseguido se safar das influências procedentes
do interior do continente. “Filho, o Egito não era branco de jeito nenhum”,
disse-me várias vezes.
Mais tarde, no curso de Ciências
Sociais, que freqüentei entre 1975 e 1981, estudei ampla literatura a respeito
deste temário, instigante e pertinente. Até porque se trata de um debate
indissociável da crítica dirigida ao leque de estratégias de desqualificação
racial indistinguíveis do processo de expansão do mundo ocidental.
Certificando este ponto com maior
precisão, a partir da empreitada das grandes descobertas, os ocidentais depararam
com muitos povos que estavam distantes de qualquer estado considerado como “selvageria”.
Pelo contrário, se distinguiam como gestores de notáveis criações em todos os
campos do conhecimento.
Todavia, mesmo a existência de provas irrefutáveis da capacidade
dos povos extra-europeus em encetar ousadas iniciativas no campo técnico,
cultural e civilizatório em geral, foi insuficiente para frear a construção do
mito da supremacia racial europeia.
Pelo que se pode conferir, o efeito foi exatamente oposto: o
Ocidente entregou-se com apaixonada devoção ao trabalho de elaborar um sistema
de justificativas que lhe garantisse um posto privilegiado diante de todos os
demais povos e culturas.
E por privilegiado entenda-se: muito melhor do que os demais, superior,
racialmente superior.
Assim sendo, diante do fato consumado de que a civilização humana
foi em larga medida devedora de culturas não-ocidentais, a Europa passou a
desenvolver teorias com intenção explícita de negar que tais realizações fossem
de responsabilidade de não-brancos, teorizações que em especial, tiveram como
um dos alvos preferenciais a civilização egípcia.
Não por outra razão senão pelo Egito ter alcançado brilhantes e
magníficos sem paralelo na antiguidade. Isto no mesmo contexto em que os
europeus disputavam cavernas com ursos. E, diga-se de passagem, frequentemente
levando a pior.
De vez que o passado condenava a Europa, para elaborar o mito da supremacia inata dos brancos
europeus, urgia, pois encontrar uma forma de reverter, mesmo que mascarando e
falseando para com a verdade, o que simplesmente não podia ser revelado.
No caso do Egito, este
desafio era maior. Se o país do Nilo já transparecia como um incômodo aos olhos
europeus por ser uma antiga e grande civilização situada fora da Europa, tratava-se
paradoxalmente de uma nação localizada na África e para piorar ainda mais,
apresentava fortes conexões com o mundo negro.
À vista disso, o Egito faraônico passou a ser desde o Século
XVIII apropriado pela história ocidental através da negação pura e simples dos
elos mantidos com a Africanidade. Assim, uma série imensa de textos e imagens
passou a definir os antigos egípcios e suas esplêndidas conquistas culturais como
obra de povos de tez clara.
Levada às últimas
conseqüências, tal ideação arianizou uma civilização que do ponto de
vista geográfico, histórico e cultural sempre foi africana, fabulação realizada
a partir da construção de imagens míticas de fundo racial, propaladas por uma série
de produtos culturais.
Para conferir esta
assertiva, basta recordar a profusão de películas cinematográficas com egípcios
alvos, quando não loiros, altos, de olhos azuis e apresentando feições
impecavelmente germânicas, que surgem iluminados sob os fortes raios do Sol que
banham o país do Nilo.
Entretanto, as características
fenotípicas destes “egípcios” de Hollywood destoam inteiramente dos grupos que
originalmente ocuparam a calha do Nilo. A despeito do relativo sucesso em
arianizar o imaginário social referente ao Egito, tais fabulações são de tal
modo incongruentes e inverídicas, que inspiraram reações críticas a este Egito
ficcional.
Nesta senda, desde os
anos 1950, e com mais força a partir dos anos 1970, com a realização de
investigações apoiadas por entidades como a UNESCO (acrônimo em inglês de Organização das Nações Unidas
para a Educação, a Ciência e a Cultura), variada gama
de estudiosos e investigadores colocou em cheque a imagem de um Egito adaptado
à pretensão de uma superioridade branca, sendo cientificamente revista e
retificada.
Ainda assim, apenas a
muito custo logrou-se a reintegração do Egito com o teatro histórico, cultural e geográfico ao qual pertence: a
África.
Num
exemplo quase alegórico, a tese de doutorado do historiador e antropólogo
senegalês Cheik Anta Diop (1923-1986), versando sobre a raiz africana da
civilização egípcia - conceito que hoje goza de plena aceitação acadêmica - instigou,
na época, acesas controvérsias. Tanto assim que a tese de Diop foi rechaçada na
Universidade de Paris-Sorbonne em 1951 e aprovada somente numa segunda
apresentação do trabalho em 1960.
Outra exemplificação é um
depoimento de outro grande amigo também falecido, o jornalista Antônio Lúcio
Nogueira (1945-2015), decano dos jornalistas negros do Brasil.
Certa ocasião, palestrando numa universidade do interior do Estado de São Paulo no ano 2000, Lúcio confidenciou-me que ao asseverar que o antigo Egito era uma civilização negra, metade da platéia literalmente “surtou”. Houve até mesmo quem protestasse que a fala de Lúcio constituía um “exagero”. Outros ainda expuseram cinicamente indignação por meu amigo insistir no que consideravam como sendo “um mero detalhe”.
Certa ocasião, palestrando numa universidade do interior do Estado de São Paulo no ano 2000, Lúcio confidenciou-me que ao asseverar que o antigo Egito era uma civilização negra, metade da platéia literalmente “surtou”. Houve até mesmo quem protestasse que a fala de Lúcio constituía um “exagero”. Outros ainda expuseram cinicamente indignação por meu amigo insistir no que consideravam como sendo “um mero detalhe”.
Todavia, atente-se que
independentemente do que é debatido nas universidades, são muitas as provas de
que a percepção que os egípcios faziam de si mesmos sempre apontam para uma
auto-imagem imersa na Africanidade. É o que pode ser observado nos murais
resgatados das areias pelos arqueólogos, dentre os quais, a pintura encontrada
na tumba de Khnumhotep, em Beni Hassan (FIGURA 2).
FIGURA 2 - Funcionários do Faraó repertoriando
a passagem de um grupo de nômades semitas por um posto fronteiriço egípcio
(cerca de 2.400 A .C.)
Este mural retrata procedimentos
burocráticos cotidianos de fiscais fronteiriços no contato com populações
semíticas, procedendo a registros e identificação de um grupo composto por
famílias e rebanhos. Os semitas são facilmente reconhecíveis pelo vestuário e
pelo padrão dos tecidos; por instrumentos musicais e armas; pelo corte de
cabelo e da barba; pelas sandálias e galochas que usam.
Mas interessantemente, o que mais
chama a atenção é a cor da pele do grupo nômade em contraste com a pigmentação
dos burocratas egípcios: tênue para os semitas, mais forte para os egípcios.
Uma das provas cabais, dentre muitas outras, de que os egípcios não se
consideravam - até porque não eram - um povo branco.
Então estando claro que sendo
Moisés negro por ser egípcio, outro aspecto não negligenciável da egipcianidade
deste herói bíblico seria o próprio nome. Conforme frisamos nos parágrafos
anteriores, a Bíblia demonstra claro cuidado com questões relativas a nomes,
assim como para epítetos e patronímicos.
Não por acaso, no Livro de Bereshit (בראשית) ou Genesis, Deus
nomeia cada uma das entidades que formam a criação, dando-lhes um nome que granjeia
substância à identidade e posição ocupada por cada item no conjunto de sua
obra.
Do mesmo modo, frisa
que Ruth, ancestral de Davi, era moabita e que Urias, cuja esposa Batsebá ou Betsabé era
desejada por Davi, era um Hitita. Igualmente informa que o profeta Sofonias
era um cushita, ou dito de outro modo, negro.
Pois bem: a origem hebraica do nome Moisés (מֹשֶׁה, Moshe), não é em
absoluto um consenso. O caráter egípcio do nome Moisés foi repetidamente reconhecido
como tal por renomados autores judeus em diversos contextos e épocas.
A saber: Filon de
Alexandria (20 A .C-50
D.C.) associou o profeta à terminologia egípcia para água. Já Flavius Josefus
(28-100 D.C.), o mais ilustre historiador judeu da era romana, confirma do mesmo
modo esta pista etimológica.
Para arrematar,
ninguém menos que o icônico linguista judeu de origem iraquiana Abraham Shalom Yahuda (1877-1951), baseado na ortografia presente no
Tanach (תַּנַ"ךְ),
a ordenação específica dos livros bíblicos pela tradição judaica, argumenta que
as raízes do nome Moisés geram o sentido ampliado de “filho do Nilo”. Qual seja:
egípcio.
E não poderia ser de outro modo.
Sendo os egípcios um povo não-branco, como poderia Moisés não ter
características egípcias se foi criado na corte do Faraó?
Com certeza, como no mural de Beni
Hassan, os egípcios sabiam que se distinguiam dos demais povos por diversas
características, dentre as quais as herdadas do contexto africano no qual
viveram e criaram sua civilização. Um Moisés não-egípcio certamente não
passaria batido. Ainda mais na corte do Faraó.
No mais, e ao menos este é o
entendimento do autor deste texto, que é judeu e que a esta condição agrega a
de ser orgulhosamente um antropólogo africanista, inteligivelmente a discussão
sobre a pigmentação maior ou menor de Moisés não faria qualquer sentido.
Todos os humanos pertencem à
mesmíssima espécie, independentemente de traços fenotípicos, da bagagem
cultural, classe social, gênero, nacionalidade, religião ou opção sexual. Nada
disso na realidade importa na perspectiva de uma Humanidade que embora globalizada,
segue desunida e fragilizada.
Contudo, o debate sobre a Africanidade
de Moisés, e identicamente de uma série de contribuições acintosamente roubadas
da África, torna essencial uma discussão que também seja feita nestes termos
com o fito de recuperar o que há de africano na cultura universal.
Foi o Ocidente - e não a África -
que transformou o critério de raça numa sintaxe matricial da discriminação, ao
arrepio de todas as antigas tradições de todos os povos. Inclusive da Bíblia,
que como sempre enfatizava Milton Schwantes, insiste no caráter único da
Humanidade.
Portanto um Moisés negro é neste
sentido, tão interessante quanto um Moisés branco. E se alguém se incomodar com
uma negritude possivelmente adereçada a Moisés, que então engula este sapo.
Por mim tudo bem. É isso. Simples
assim.
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MAURÍCIO WALDMAN é jornalista,
antropólogo, pesquisador, editor, consultor ambiental e professor
universitário. Participou no movimento ecumênico e trabalhou no Centro
Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI). Autor de 16 livros e de mais de
600 artigos, textos acadêmicos e pareceres de consultoria, Waldman fez três
traduções matriciais: Manifesto Eco Modernista (An Eco Modernist Manifesto,
Breakthrough Institute), inglês-português (2015), O Ecologismo dos Pobres, de
Joan Martínez Alier (2007), do espanhol para o português e Cinquenta Grandes
Filósofos, de Diané Collinson (2004), do inglês para o português. Maurício Waldman
é graduado em Sociologia (USP (1982), Mestre em Antropologia (USP, 1997),
Doutor em Geografia (USP, 2006), Pós Doutor em Geociências (UNICAMP, 2011), Pós
Doutor em Relações Internacionais (USP, 2013) e Pós Doutor em Meio Ambiente
(PNPD-CAPES, 2015).
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ReplyDeleteBom, para Moisés ser negro, a cor de sua pele não deveria ter nada a ver com o fato de ele ter sido crido no Egito, e sim, ser filho de pelo menos um dos pais negros.
ReplyDeleteHum, vai ser sempre assim, por mais evidências que existam, sempre terá alguém pra negar a veracidade dos fatos;existem vários famosos herois negros que tentam "clarear" infelizmente;O que deve-se fazer é agradecer pelo que cada um independente da sua tez forneceu(conhecimento) para o bem da humanidade;
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